Você já deve ter visto nas gôndolas de alguns supermercados e em lojas especializadas os chamados vinho verde e vinho laranja. Mas se, num primeiro momento, você ficou em dúvida sobre o que são tais produtos, é preciso saber que nem tudo a respeito deles trata-se, de fato, sobre suas colorações.

Nem tudo porque, enquanto o vinho verde só tem o nome que remete à cor, o vinho laranja tem o nome e também o aspecto visual.

Mas vamos por parte. O vinho verde é um produto que só pode ser obtido em um local específico do mundo, no noroeste de Portugal. É uma região de denominação de origem controlada – a DOC Vinho Verde –, na área conhecida como Entre-Douro-e-Minho.

Ali são produzidos esses vinhos cuja principal característica é sua acidez, qualidade tida por muitos também responsável pela nomenclatura desses vinhos, que podem ser brancos, tintos ou rosados – e não verdes, portanto.

Porém, há algumas particularidades na DOC onde o vinho é produzido. Tanto que existem nove sub-regiões diante da quantidade de terroirs diferentes, o que faz cada uma delas notória no uso de algumas castas. Para ser um vinho verde, é preciso que ele seja elaborado com uvas autóctones –Alvarinho, Arinto, Avesso, Loureiro, Azal, Batoca e Trajadura, no caso dos brancos; e Vinhão, Alvarelhão, Amaral, Borraçal, Padeiro, Pedral, Rabo de Anho e Espadeiro, no caso dos tintos (essa última também é famosa para a elaboração de rosés).

Por fim, caso você decida experimentar um dos famosos vinhos verdes de Portugal, você estará levando para casa um vinho leve e fresco, cujas notas são frutadas e florais. O mesmo vai ocorrer com os espumantes, diga-se.

Agora que já sabemos mais sobre o vinho verde, vamos falar sobre um vinho que, de fato, faz jus à cor que o nomina, o vinho laranja. Na verdade, esse é um vinho branco que, por conta do tempo em que as cascas de uva passam em contato com o mosto da fermentação, conferem um aspecto alaranjado à bebida.

Mas esse produto não é nenhum modismo inventado pela indústria vinícola para diversificar o mercado. Ele existe há milênios e tem origem nos povos eslavos. Nos anos 2000, ganhou nova projeção por meio de vinícolas italianas da região de Friuli-Veneza Júlia.

Entre as principais uvas utilizadas no preparo desse tipo de vinho estão as variedades Pinot Grigio, Trebbiano e Moscato, mas Chardonnay, Riesling e Gewürztraminer também figuram entre as opções.

Além da diferença de cor em relação ao vinho branco “normal”, o vinho laranja apresenta mais taninos do que esse, por conta da maior presença das cascas de uva na fermentação. Essa presença em maior ou menor grau também influenciará no perfil aromático do vinho, que pode trazer notas florais, de frutas como pêssego, de amêndoas e aromas minerais.

Uma nota necessária, já que estamos falando de cor. Além do vinho laranja, que é obtido por um processo natural, há os chamados vinhos azuis. É importante ressaltar, no entanto, que sua coloração azulada não vem de técnicas de vinificação. A invenção ocorreu na Espanha em 2016 e, embora os fabricantes tenham anunciado que a cor era resultado de pigmentações orgânicas e de um corante alimentar, a empresa foi proibida pela União Europeia de chamar o produto de vinho. Mais recentemente um outro vinho azul espanhol tem feito sucesso. O Vindigo, da Bodegas Perfer, é anunciado como um produto cuja cor vem de um componente presente na casca da uva Chardonnay, da qual é elaborado. Mas também é alvo de polêmica: um estudo da Universidade Paul Sabatier mostrou que a coloração da bebida tinha indícios de conter corante alimentar, negado pela empresa.

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