Alguns temas acerca do universo do vinho costumam colocar em trincheiras opostas puristas e modernos. A vedação de uma garrafa, por exemplo, é um desses assuntos. Antes de você escolher de que lado está, se entre os defensores das rolhas de cortiça ou da tampa rosca, saiba que, sim, há diferenças no sistema de vedação entre uma e outra. Mas será que isso influencia na qualidade do vinho?

A disponibilidade limitada de produção de rolhas de cortiça de boa qualidade, aliada a alguns problemas técnicos ocorridos ao se utilizar os objetos a partir de matéria-prima de baixa qualidade, estimularam a procura por um novo sistema de fechamento na década de 1960, principalmente nos países ditos do Novo Mundo. Portugal é o principal produtor mundial de rolhas de cortiça, material extraído da casca de uma árvore chamada Sobreiro, muito presente na Península Ibérica. 

De acordo com o enólogo da Cooperativa Vinícola Garibaldi Ricardo Morari, a principal diferença entre um vinho vedado com rolha de cortiça de um com rosca está no fato de que a primeira permite ao vinho respirar. “Através dos microporos da cortiça, entram pequenas doses de oxigênio, mesmo quando a garrafa está guardada na horizontal, fazendo que um vinho tinto de guarda, por exemplo, ganhe maior complexidade ao longo do tempo”, ensina.

 

Vantagens da tampa rosca 

Isso significa que ela é só indicada para vinhos preparados para evoluírem com o tempo? Em tese, sim. É mais adequado que tintos jovens, brancos e rosés evitem contato com o oxigênio. “Assim, ficam preservados seu perfil aromático, sua cor e seu frescor. Portanto, neste caso, a tampa rosca é mais indicada”, explica Morari.

Mas o enólogo aponta outras vantagens desse tipo de vedação que, reforça, mantém intacta a qualidade do vinho. “Quando aplicada corretamente, a tampa rosca proporciona um fechamento hermético da garrafa, protegendo o vinho de evolução oxidativa rápida. De forma alguma existe perda de qualidade”, enaltece.

Morari diz que essa tampa permite a preservação das características mais frescas e frutadas dos vinhos, além de evitar o famoso Bouchoneé. “É aquele gosto desagradável que a rolha de cortiça transmite ao vinho se não for de boa qualidade”, explica.

Outra vantagem é o armazenamento das garrafas na vertical, já que elas não precisam ficar na horizontal para manterem o contato do vinho com a cortiça, a fim de que haja a passagem de oxigênio durante o período de guarda. E a mais prática de todas, claro: a tampa rosca facilita a abertura, já que torna o saca-rolhas um item desnecessário.

 

🚩Nos produtos da casa

Além dessas duas opções para vedar o vinho, existe a rolha sintética. Mas como uma rolha assim de boa qualidade tem valor similar à rolha de cortiça, sua utilização é inviabilizada, praticamente. “Ao contrário das rolhas de cortiça, elas não expandem e contraem com as diferentes temperaturas do ambiente, podendo em alguns casos permitir entradas excessivas de oxigênio no vinho, causando sua oxidação precoce”, alerta Morari.

A Cooperativa Vinícola Garibaldi utiliza tanto a tampa rosca como a rolha de cortiça em seus produtos. As linhas de vinho de mesa Bartolo e Precioso, as de vinhos finos jovens Acquassantiera e Granja União e no vinho branco Garibaldi Chardonnay, a opção foi pela rosca. “Como se tratam de vinhos com perfil ideal para serem consumidos ainda jovens, a tampa rosca permite preservar o frescor e prevenir da oxidação de forma mais efetiva, mantendo essas características nos vinhos por mais tempo”, explica.

Já as tradicionais rolhas de cortiça são utilizadas nos espumantes, nos vinhos da linha Garibaldi e também Acordes.

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