O mundo do vinho é repleto de classificações, e nem sempre comprar um rótulo pode ser uma tarefa simples para quem não é tão familiarizado aos pormenores dessa milenar bebida. Um dos fatores que causam dúvida entre os consumidores ocasionais são as terminologias referentes à quantidade de açúcar que o vinho pode conter. Elas fazem referência aos famosos avisos de “seco”, “suave” e “demi-sec” estampados pelos rótulos.

Neste caso, é bom ter em mente que há duas principais famílias, a dos secos e a dos suaves, que são opostos em termos de paladar – há, ainda, uma terceira, intermediária entre as duas, a demi-sec. Tanto tintos quanto brancos podem pertencer a uma ou a outra família e, embora seja menos comum nos suaves, ambos podem ser elaborados com uvas viníferas. Mas, então, o que difere secos de suaves?

O segredo está no açúcar. Ou melhor, na adição dessa substância previamente ao engarrafamento do vinho. Durante a fermentação do mosto, praticamente todo o açúcar da uva será transformado em álcool, resultando em um vinho seco, com açúcar residual de no máximo 4 g/L. Antes de engarrafar o vinho, adiciona-se então o açúcar para torná-lo suave. "Um vinho suave é aquele que contém mais de 20 gramas por litro de açúcares residuais, ou seja, apresenta-se doce no paladar. Se diferencia do vinho seco no processo de elaboração, por esse açúcar ser adicionando previamente ao engarrafamento, permanecendo no vinho engarrafado e dando a sensação adocicada no paladar", explica Ricardo Morari, enólogo da Cooperativa Vinícola Garibaldi.

Para efeito comparativo, vinhos secos têm índice de açúcar até quatro gramas de glicose por litro, e os demi-sec partem de 5g/L e vão até 20 g/L.

Por seu paladar mais adocicado, o vinho suave costuma ser uma boa porta de entrada ao fascinante mundo dessa bebida, inclusive para que, aos poucos, o consumidor avance para vinhos mais complexos. “A sensação adocicada geralmente é bem aceita pelo paladar, deixa o vinho mais macio e mascara a acidez naturalmente presente no vinho. Com o passar do tempo, o paladar vai se habituando às sensações causadas pelo vinho e o açúcar passa a ser desnecessário, sendo que a pessoa aos poucos vai migrando seu consumo para vinhos menos doces, até chegar nos secos”, diz Morari.

Assim como há vinhos secos elaborados com uvas comuns, como Isabel, ou com uvas viníferas, como Merlot, os vinhos suaves também podem ser elaborados seguindo essa regra. O que importa, segundo Morari, é que para ter qualidade o vinho suave precisa ser elaborado com os mesmo cuidados e controles dos empregados nos secos. “Um vinho suave de qualidade é o que apresenta aromas limpos e, principalmente, um equilíbrio entre açúcares e acidez. O equilíbrio dessas sensações em boca faz toda a diferença, já que deixa o vinho harmônico e não o torna enjoativo ao ser consumido”, avalia o enólogo.

 

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