Ainda existe muito a se avançar, mas o século 21 tem trazido significativas conquistas de espaço para as mulheres em posições de decisão. Houve crescimento exponencial de cargos políticos ocupados por elas e a voz de pessoas como Malala Yousafzai e Greta Tumberg ecoa no mundo todo. No universo dos espumantes, esse protagonismo feminino começou lá atrás, nos séculos 18 e 19. Em muitas das vezes por necessidade, como no caso das três viúvas que marcaram nome na história dos vinhos, mas também pela capacidade de agregar. Abaixo, uma lista de mulheres imortais, definitivas na biografia da bebida.

 

🥂Viuve Clicquot

Coragem e visão foram características que acompanharam Nicole-Barbe Ponsardin, a Viúva Clicquot, durante toda a vida. Ao perder o marido, François Clicquot quando tinha apenas 27 anos, ela tomou uma decisão bastante ousada: deixar de lado todos os outros investimentos da família e focar na elaboração de espumantes. Para isso, adquiriu grandes áreas de vinhedos e apostou em estratégia que, se hoje é quase obrigatória, entre os séculos 18 e 19 era novidade: o marketing. Foi ela quem observou a necessidade de se criar rótulos para as garrafas que fortalecessem a marca, por exemplo.

Para além da divulgação, Clicquot teve papel fundamental na difusão do espumante. É creditada a ela a invenção do riddling rack, a inclinação gradual das garrafas até ficarem na vertical, com o objetivo de ejetar restos de levedura e sedimentos de vinho, em processo que busca a purificação da bebida. Todo dia, as garrafas era sacudidas e giradas para acumular no gargalo o que era indesejado no resultado final. Com a retirada da rolha, esses dejetos eram expulsos natualmente pela expansão dos gases.

 

🥂Madame de Pompadour

Jeanne-Antoinette Poisson, a Madame de Pompadour, é daquelas figuras conhecidas pela influência. É consenso que diversas das decisões mais importantes da França pré-revolução passaram por essa mulher extremamente culta, inteligente, sedutora e, acima de tudo, secretária de ordens e outros assuntos de Luís XV. Ela governava Versalhes e os destinos dos franceses com pulso firme, charme e frieza e tinha como grande paixão o vinho espumante produzido na região de Champagne. Diz-se que toda a imponência que a marquesa construíra derretia-se à primeira taça – objeto ao qual, também reza a lenda, ela serviu como modelo.

A influência de Poisson, aliada à paixão pela bebida, fizeram com que o espumante logo se popularizasse na aristocracia francesa, tornando-se aí símbolo da nobreza da época. Depois veio a revolução e o que antes era privilégio acabou se democratizando. Ainda bem: dessa forma, foi possível que o vinho com bolhas pudesse chegar até a mesa de nós, reles mortais.

 

🥂Louise Pommery

O brut é, como o próprio nome sugere, um espumante mais bruto, feito para quem deseja uma bebida menos doce, com poucas adições – mais seco. A característica caiu no gosto de muita gente que prefere essa sensação mais sincera e quem é fã precisa agradecer a uma mulher por essa invenção: Louise Pommery, mais uma viúva que tem seu nome marcado na história dos espumantes.

Louise perdeu o marido aos 38 anos e teve de criar dois filhos sozinha. Como alternativa, resolveu entrar no mundo dos vinhos, já consolidado e, ao mesmo tempo, saturado das mesmas opções dentro da França. Na época, as décadas finais do século 19, para se dar bem neste universo era preciso olhar para fora do país. A viúva então percebeu que os vizinhos da Inglaterra eram fãs de vinhos, representavam um mercado consumidor imponente, porém tinham um gosto diferente: preferiam bebidas mais secas e sem tanta adição de açúcar. Foi aí que ela decidiu apostar em um novo tipo de espumante, lançando em 1874 o primeiro champanhe brut. Pronto: a criação caiu no gosto dos ingleses e Louise teve de aumentar significativamente as caves subterrâneas de sua empresa, uma referência até os dias de hoje.

 

🥂Lily Bollinger

O universo do espumante teve espaço ainda para uma terceira viúva. A carismática Lily Bollinger perdeu o marido em 1941 e teve a força necessária para comandar a Maison inaugurada por ele. A francesa precisou, inclusive, lidar com o caos da Segunda Guerra Mundial e foi responsável por liderar uma série de inovações aliadas à tradição da empresa, tendo papel fundamental na difusão do champanhe em toda a Europa.

O segredo para o sucesso passava também pela meticulosidade de Lily com a produção: ela costumava passear todos os dias pelos vinhedos de bicicleta, zelando pelo padrão de qualidade. É dela, também uma das mais célebres frases do almanaque dos espumantes: “Eu bebo champanhe quando eu estou feliz e quando eu estou triste. Às vezes eu bebo quando estou sozinha. Quando tenho companhia, considero obrigatório. Dou um gole quando estou sem fome, e bebo quando estou com fome. Se não for assim, eu nunca nem toco no champanhe, a não ser que eu esteja com sede”, disse, em entrevista a um jornal inglês.

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